Projeto é uma iniciativa do 'Brasília Ambiental' em parceria com as secretarias de Meio Ambiente e de Saúde.
Os resultados destacam a informação que a população de capivaras da Grande Brasília não é transmissora da febre maculosa
O Instituto Brasília Ambiental apresentou o relatório do 'Projeto Monitoramento e Manejo de Capivaras e Carrapatos' no Distrito Federal ao Ministério Público distrital e à população em geral interessada. A apresentação aconteceu na sede do próprio MP-DF.

Os resultados trazem como destaque a informação que a população de capivaras 'brasilienses' não é transmissora da febre maculosa.
“Resultados preliminares descartaram a circulação da bactéria responsável pela transmissão da febre maculosa brasileira (FMB), a mesma causadora de diversos óbitos na Região Sudeste ao longo dos anos. Estamos nos aprofundando na pesquisa, mas tudo indica que a presença de outras bactérias da mesma família, mas sem a patogenicidade da febre maculosa brasileira nas populações de capivaras que circulam por Brasília, impede que a bactéria mais nociva se instale na Distrito Federal”, explicou a coordenadora da execução do projeto, bióloga e professora da Universidade Católica de Brasília (UCB), Morgana Bruno.
O projeto é uma parceria do Instituto com a UCB e as secretarias de Meio Ambiente e de Saúde do GDF e tem como objetivo promover o equilíbrio entre a conservação da fauna local e a segurança da saúde pública na orla do Lago Paranoá e outras localidades da Grande Brasília. Os estudos foram divididos em seis eixos. Morgana Bruno explicou que os principais focos desses eixos incluem: monitoramento e pesquisa; saúde pública e zoonoses; e educação ambiental. Os estudos foram divididos em seis eixos.No que se refere ao monitoramento e à pesquisa, o projeto trata do estudo do comportamento e quantificação da população de capivaras, mapeando índices de abundância e identificando possíveis rotas e áreas de maior incidência para prevenir acidentes no trânsito.
No tocante à saúde pública e zoonoses, a atividade visa coletar dados sobre a saúde dos animais e a presença de carrapatos, visando a prevenção e o controle de doenças, como a febre maculosa.
E na área de educação ambiental, o objetivo é conscientizar a população sobre os riscos zoonóticos e a convivência pacífica com a fauna nativa. 
Os dados indicam, segundo a coordenadora, que a territorialidade das capivaras tem sido uma barreira ímpar, servindo como cordão sanitário natural para toda a população humana do Distrito Federal.
O estudo teve início em 2025 e se estende até 2027. “A expectativa é que ao final tenhamos protocolos prontos para trabalhar com as capivaras, que tenhamos subsídios para a adoção de políticas públicas que ensejem um convívio harmônico entre a população humana e os indivíduos da fauna silvestre”, ressaltou a pesquisadora.
Presenças
O evento contou com as presenças do superintendente de Unidades de Conservação, Biodiversidade e Água do Brasília Ambiental, Marcos João da Cunha, que na oportunidade representou o presidente da autarquia, Gutemberg Gomes; do chefe da Gerência de Fauna do Instituto, Rodrigo Santos; e da promotora de Justiça de defesa do meio ambiente e do patrimônio cultural (Prodema) do MP-DF, Luciana Medeiros Costa. 
