A Juíza Rejane Suxberger, que trabalha no Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF), na área de infância e juventude, participou de um programa para falar sobre os desafios da adoção no Brasil e a importância de garantir o direito das crianças e adolescentes de viver em família.
Ela narrou sobre dados importantes do 'Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento' (SNA) e explicou que, mesmo existindo mais de 30 mil pessoas prontas para adotar, muitas crianças e jovens ainda não têm pretendentes.
Atualmente, são mais de 6.300 crianças disponíveis para adoção.
O problema principal é que as pessoas que querem adotar costumam ter uma ideia idealizada da criança, diferente da realidade das crianças que estão para adoção.
A juíza destacou que é fundamental lembrar que o direito em primeiro lugar é o da criança, e não o do adulto.
Ela também chamou atenção para a adoção tardia, que ainda enfrenta muito preconceito.
Rejane Suxberger explicou que a preparação das pessoas que querem adotar inclui cursos, palestras e encontros feitos por equipes que ajudam a entender os aspectos legais, emocionais e sociais do processo.
Ela falou que é muito grave quando a criança precisa ser devolvida, preferindo chamar isso de “abandono outra vez”, mostrando que crianças não são objetos.
O Judiciário tem cobrado responsabilidades dos adotantes que abandonam a criança depois da adoção.
No debate, a psicóloga Soraya Pereira, do 'Grupo Aconchego', que acolhe temporariamente crianças que tiveram seus direitos violados, disse que os laços familiares são construídos no dia a dia, com convivência e carinho.
Ela disse que cabe ao adulto criar esse vínculo e destacou a importância de a sociedade entender melhor o tema do acolhimento familiar.
Filho não sai da gente. Filho entra, resumiu Soraya Pereira sobre o que é ser família.
